28.4.12

GUITAR BOOK - Entrevista com Uruha e Aoi (Parte 3)

A Kou traduziu para o Português a terceira parte da entrevista que o Uruha e o Aoi concederam à revista especial GUITAR BOOK, traduzida para o Inglês pela wlifers.

Nessa parte da entrevista, eles falam um pouco sobre a evolução do trabalho de guitarras desde o DISORDER até o STACKED RUBBISH. Leia abaixo:

GUITAR BOOK - Entrevista com Uruha e Aoi (Parte 3)
Parte 1 | Parte 2

Tradução Japonês-Inglês: wlifers
Tradução Inglês-Português: Kou

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- Hmm... Fazer o quê, huh. Se você é um adulto ou não, isso às vezes também é decidido pelo ambiente a sua volta. Sempre tocar enquanto carrega o sentimento de superar obstáculos e dificuldades, há vários artistas que estão sendo chamados de os melhores, e realmente o são.

U: Este é um ponto difícil, ne. Por ser considerado um grande músico no meio em que você está, você também se torna um grande músico pela primeira vez. Mas, para pessoas como eu, não importa o quanto você seja idolatrado, se você mesmo não conseguir concordar com isso, você nunca vai se sentir à vontade. Por outro lado, se você pensar demais por si mesmo, você se torna deprimido e para de tentar ser útil – eu também não gosto disso. No final das contas, você tem que encontrar o equilíbrio dentro de você mesmo.

A: Nesse caso, talvez seja aí que eu sou completamente oposto ao Uruha. Quando eu fracasso, eu realmente não deixo isso me incomodar. Embora eu pense “woohoo!” quando eu consigo fazer algo (risos), isso não me impede de ficar incomodado com essas coisas, ne? Por causa disso, claramente você decide praticar bem para que seja capaz de fazer algo bom da próxima vez. E aí você leva a guitarra pra casa e pratica nela em casa. Eu também me sinto deste jeito.

- Eu estou intrigado pelas diferenças entre suas personalidades e ainda assim, vocês dois são capazes de trabalhar bem juntos. Seguindo este fluxo, o the GazettE passou por vários mini álbuns e um álbum completo, o “DISORDER”. Há a impressão de que com o “NIL” houve uma imensa melhora de habilidade. Há também a sensação de que vocês dois também tinham muitas coisas que queriam fazer e juntaram tudo.

U: Não é por que nossa percepção mudou para este propósito. Naquela época, por nós termos juntado no álbum tudo o que pensávamos ser moda na época, o “DISORDER” foi certamente um trabalho ótimo. Enquanto esperávamos por uma insatisfação com o “DISORDER”, nós decidimos colocar o “NIL” em seguida por causa disso. O “NIL” me dá a impressão de que foi o álbum em que eu não tive preconceito, ou tendências. No “DISORDER” nós estávamos influeciados pela nossa visão de mundo. Com uma influência forte do punk e mesmo que as próprias pessoas que estavam fazendo isso fossem visual kei, foi um grande álbum. Independentemente, também houve situações onde eu quis fazer ele emocional. No entanto, com esta situação difícil, em “DISORDER” nós também fizemos algumas vezes de tal modo que tinha um lado que era muito enraizado nas nossas tendências. Resumindo de melhor maneira, não havia um senso de unidade. Foi uma obra prima.

A: Para mim, certamente como eu me tornei “estilo the GazettE”, acho que isso tomou forma do “NIL” pra frente. Antes disso, na maior parte do tempo, eu estava fazendo arranjos que casassem com o que o Ruki compunha e, por causa do “NIL”, isso mudou. Durante “DISORDER”, apesar de eu também estar fazendo musicas, foi o “NIL” que deixou a melhor impressão. Daí em diante, você pode dizer que eu comecei a sentir que eu estava finalmente fazendo música. Antes disso, apesar de eu sentir que eu estava seguindo a banda, foi durante aquela época que eu comecei a sentir que nós estávamos fazendo as coisas juntos.

U: Do ponto de vista da banda, este assunto (a criação do NIL), foi certamente enorme para nós, ne? Aoi entrou no PC mais rápido do que qualquer um de nós, e, por si só, mostrou seu lado de compositor. Esse foi o ponto de transformação do Aoi e, a partir daí, a percepção dele também mudou, eu acho. A partir daquele período, na perspectiva de guitarrista da banda, o ponto de vista dele também estava mudando.

A: Eu acho que durante aquela época, antes de chegar a este ponto, eu começava a ter este sentimento de não querer depender das pessoas. Este sentimento começou a crescer gradualmente e, no “NIL”, simplesmente explodiu.

U: Procurando pelo meu próprio lugar, o momento em que eu o encontrei, o “Aoi” daquela época o tinha. Naquele “Aoi”, todo mundo se sentiu provocado. Quando um membro da banda se aproximava daquela época em particular, todo o nível da banda também aumentava de uma só vez. Sob esta ótica, eu acho que quero que tais coisas aconteçam com freqüência.

A: É mesmo? Eu não achei que isso tivesse sido grande coisa pra todos. (risos)

U: Ahaha. Depois disso, dessa época em diante, nós começamos a fazer pré-produção... Nós também começamos a lançar o álbum com um bom efeito.

- Não restritamente ao “NIL”, mas vocês dois tocam violão ativamente.

A: Desde o começo eu gostei de violão; Eu sempre quis tocá-lo na banda. Por causa disso, sempre que eu ouço uma melodia, minha cabeça sempre a transforma para como seria se fosse tocada no violão.

U: Pra mim, foi depois que eu tive influência de outras bandas. Durante os shows, quando eu via o violão sendo posicionado num suporte e tocado, eu pensava “Hm, entendo...”. Nesse caso, nós dois podemos usar a guitarra e o violão em uma música. Em um time de guitarras-gêmeas, onde ambos usamos violão ao mesmo tempo, a atmosfera muda completamente. Eu penso que realmente quero que o the GazettE faça uso disso.

- Para pessoas que não são boas com o violão, elas o odeiam completamente. Mas não foi assim com vocês, huh?

U: Não foi. Da forma que fosse, eu queria fazer isso. De todo modo, eu não tinha dinheiro, então eu não tinha um violão em mãos, esse era o problema (risos). Por isso eu não toquei no início.

- Com vocês dois gostando de violão, isso também se tornou uma parte grande do forte do the GazettE. Dando continuidade ao “NIL”, no álbum “STACKED RUBBISH”, o conjunto de guitarras teve mais e mais organização e ajustes.

A: Exatamente. Antes disso, nós geralmente trabalhávamos separadamente. Mas, com este álbum, nós quisemos fazer algo uníssono.

U: Durante aquela época, pode-se dizer que nós deixávamos o trabalho de base para uma mente só. Ao invés da perspectiva das personalidades dos dois guitarristas, nós nos tornamos capazes de considerar uma composição musical juntos, isso começou a partir do “STACKED RUBBISH”.

A: Sim. Nós começamos a selecionar cuidadosamente em que tipo de caminho nós queríamos fortalecer a impressão das melodias. Por causa disso, se nós precisássemos trazer o sentimento de proximidade mais do que o sentimento das guitarras-gêmeas, este sentimento de proximidade, nós tínhamos que tocar em uníssono, se houvesse a necessidade de bagunçar a melodia um pouco, nós também faríamos isso. Foi assim que nossa abordagem mudou.

U: De qualquer modo, quando começamos a combinar mais de perto, por causa de nossas diferenças mútuas nos hábitos de tocar. Sabe, antes de eu ter alcançado isso dentro de mim, a questão disso ser diferente ou não já tinha começado a surgir. Porque tinha acontecido inconscientemente, antes que eu percebesse, eu já tinha feito as coisas sem perceber. Para chegar a este ponto, nós tivemos que ficar voltando e checando nossa música. Com isso, antes de decidir fazer uso de nossas diferenças de como tocar ou não, nós decidimos conversar sobre isso.

A: Nós conversamos sobre isso nos mínimos detalhes, né?

U: É. Enfim, sobre essa história de nós nos juntarmos e criarmos um som como um. Pra isso, nós não achamos que foi tão difícil.

- Como a parte de hábitos de tocar pode ser problemática, há bandas onde uma pessoa toca o fundo, mas vocês não fazem isso. Aliás, em “STACKED RUBBISH” o som da guitarra teve uma grande mudança. Houve uma grande mudança em termos de ganho*, foi o frequente uso de captadores single coils**?

A: Como eu disse antes, “o som da guitarra é bem leve, então qual é a razão pra isso?” – Nós sempre tivemos este problema. Quando nós estávamos ponderando sobre isto, eu pensei, é diferente de simplesmente aprofundar o som e distorcê-lo, ne? Naquela época, nós ainda estávamos no estágio de procurar por uma resposta. Por isso, nós tentamos abaixar o ganho o máximo que pudemos, para ver como ficava.

U: Se apenas distorcêssemos, o real sentimento dos acordes não apareceria, ne? Eu comecei a pensar, fazer uso do sentimento dos acordes, não está relacionado com a profundidade deles, não é?

*N/T: “Ganho” refere-se à medida de habilidade em termos do volume do amplificador e da potência.
**N/T: Um tipo de captador

- É mesmo? Então vocês dois falaram sobre isso?

U: Falamos.

A: Mesmo quando somente uma pessoa abaixa sua distorção, enquanto a outra distorce com toda a força, nós não conseguíamos alcançar o que estávamos querendo. Com isso, começamos a pensar “qual é?” (risos)

U: Nós discutimos, abaixamos a distorção e tentamos fazê-las um pouco mais simples. Em “Filth in the Beauty”, que foi lançada antes de “STACKED RUBBISH”, eu usei humbucker. Mas quando gravamos “REGRET”, eu tentei usar o P-90. O “STACKED RUBBISH” começou a se tornar preso a este método também. Apesar de eu não conseguir ver este assunto objetivamente. Eu já estava tocando com uma impressão subjetiva. “Isto é profundo. No entanto, é por causa do P-90” – Com este tipo de sentimento. (risos).

A: Eu também. (risos). Resumindo, nós tivemos pré-concepções.

U: Apesar de que metade de mim também tinha dúvidas. Houve partes em que eu pensei “isso não tá um pouco diferente?” (risos). Agora quando eu ouço, é bem puro, huh. (risos)

[Continua...]

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1 comentários:

Shiroki_D disse...

Não sei o motivo, mas em alguns momentos achei o Uruha e o Aoi meio receosos em algumas respostas. Igual sobre a conversa 'nos mínimos' detalhes, mas eles devem ter discutido bastante sobre as composições e o jeito de cada, deve ser por isso que fiquei com essa impressão @.@

Mas também, por outro lado, é impressionante como eles são confiantes sobre suas criações, mesmo que a visão deles de agora tenha mudado em relação as composições antigas, por culpa do avanço profissional que eles tiverem no decorrer dos lançamentos.

Essa melhora, vista através dos álbuns é bem mais nítida xD E é ótimo reparar nessas coisas, mostra o quanto eles cresceram musicalmente <3

Adorei também a parte que falam de violão. Tem algumas músicas que isso parece essencial, dependendo do objetivo que quer atingir com ela.

Enfim, obrigada por mais uma parte traduzida, essa entrevista é ótima <3

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