25.3.12

GUITAR BOOK - Entrevista com Uruha e Aoi (Parte 2)

Há um tempo, a Luna traduziu aqui para o BF, a 1ª parte da entrevista do Uruha e do Aoi para a revista Uruha & Aoi Guitar Book.

A wifers traduziu o restante da entrevista no ano passado para o Inglês e a Kou traduziu para o Português. Leia abaixo a Parte 2 da entrevista, onde eles falam sobre como eles faziam as composições de guitarra no passado e como eles conseguiam lidar com as dificuldades.

GUITAR BOOK - Entrevista com Uruha e Aoi (Parte 2)
Parte 1 aqui

Tradução Japonês-Inglês: wlifers
Tradução Inglês-Português: Kou

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-- Quando escutamos o “COCKAYNE SOUP”, primeiro mini-álbum do the GazettE, já estavam sendo usadas características de duas guitarras diferentes.

Aoi (A): Mas em “Haru ni chirikeri, mi wa karenu de gozaimasu” foi usada a técnica de guitarra do Uruha.

Uruha (U): Yup.

A: Não apenas em “Haru uni chirikeri, mi wa karenu de gozaimasu”, naquela época eu ainda estava no período em que eu contava com o Uruha.

-- É mesmo? Se esse é o caso, pode-se dizer que, durante o período inicial, era devido à técnica do Uruha que o estilo das “guitarras gêmeas” foi formado.

A: Durante aquele período, o impacto do Uruha sobre mim, como esperado, foi grande. Ainda mais porque naquela época eu não contribuí pra nenhuma composição. Os primeiros dias do the GazettE, tendo o Ruki e o Uruha como compositores, nós nos tornamos uma banda assim. Em termos de música, os dois assumiram a responsabilidade.

-- Depois de ficarem assim, nessas primeiras composições, e se acontecesse de você compor algo que estivesse claro que o estilo está focado apenas no de uma pessoa...?

U: O que aconteceria, hmmm? Naquela época, pelo fato de sermos focados no quão bem iria vender, nós realmente não dizíamos coisas do tipo “isso é maneiro!”. A cada vez que nós mostrávamos um trabalho, toda vez fazíamos uma mudança de 180º. Como esperado, nós meio que estávamos em um labirinto, ne (risos). [N/T: no sentido de estarem desorientados, sem saber pra que direção seguir..] Então até mesmo pra acabar uma música era difícil huh.

A: No começo era assim. Eu também nunca disse nada do tipo “essa música!!”. A época que eu comecei a mostrar meu próprio estilo foi mais ou menos durante MADARA (5º mini-album)?

U: Mas, durante os lives, o Aoi começou a mostrar as próprias expressões dele, ne? Porque você estava carregando o seu próprio personagem. Às vezes você também dava aqueles gritos, ne?

A: Yep. Falando nisso...era porque, no começo, eu não tocava a minha parte durante os lives (risos)

U: Eh, então é isso?!

A: Sim. Eu não tocava as minhas frases e só ficava batendo nas cordas pra fazer barulhos tipo “Jaan!”. Então o Uruha ficou bravo comigo, não foi? (risos). Ele veio “Por que você não toca? Durante essa parte, se você não tocar isso vai ser realmente inepto!” (risos). Então eu disse “DESCULPE. Eu tocarei, eu tocarei! Da próxima vez em diante eu tocarei!”, ou algo assim (risos). Você não lembra?

U: Não lembro (risos). Mas, depois de eu ter brigado, você passou a tocar devidamente?

A: Pra ter feito o Uruha ficar bravo, eu pensei “isso é mesmo verdade, ne...que eu não estava tocando” e dali pra frente eu comecei a tocar (risos).

-- Tais momentos também estavam presentes, huh (risos). Do ponto de vista da banda, com o segundo álbum “Akyuukai” vocês tiveram a impressão de que a base do som de vocês estava finalmente devidamente estabelecida?

A: Dali em diante nós começamos a usar riffs pesados e uníssonos. Certamente, dali em diante nós também começamos a incluir afinações em tons mais baixos, se eu não me engano, ne?

U: Yup. Embora tenha sido repentinamente (risos). No começo, “Ray” foi feita na afinação normal [EBGDAE], mas nós quisemos fazê-la pesada sempre que possível. Então começamos a conversar sobre coisas tipo “com uma afinação um tom abaixo ficaria melhor, uh...” e logo após a gravação, nós rapidamente diminuímos em um tom a afinação (risos)

-- Então a ideia não era exatamente fazer músicas com uma afinação em tom mais baixo e sim com intenção de querer fazer o som pesado?

A: Sim. Não pra ter “o nosso próprio estilo”, mas querendo fazer o nosso som daquela forma.

-- Pode-se dizer que foi uma idéia simplista, huh.

U: Simplista demais, onde pensando bem, nós éramos como idiotas (risos)

A: HAHAHA!

U: Mas eu acho que “Ray” ficou melhor com o tom abaixo. Porque o ponto máximo da escala vocal do Ruki estava falhando. Porque todos os membros sabiam a versão com a afinação normal. Dali em diante nós continuamos usando essa afinação. De qualquer modo eu acho que isso se tornou um ponto positivo, entretanto, nós também entendemos que isso não significa que tudo que se faz em um tom mais baixo é bom.

A: Embora não tivesse nenhuma objeção quanto a adotar a afinação em tom mais baixo, durante os lives nós ficamos atrapalhados. Porque naquela época nós não levávamos as nossas próprias guitarras. O que nós fizemos durante aquela época?

U: Eu não lembro (risos). Mas, se nós tocamos “Ray” nos lives, ela se tornou uma música de duas guitarras, ne. Com isso, quando nós abaixamos a afinação em um tom, nós tocamos apenas as músicas que estavam naquela afinação?

A: Aah, foi uma bagunça huh (risos)

U: Durante aquela época, os nossos shows, em sua grande maioria, não eram tão longos. É bem provável que nós simplesmente conseguíamos lidar com isto [tocar apenas músicas com a mesma afinação] por causa disso (risos). E também, quando gravamos o “Akuyuukai”, nós pudemos conhecer a diversão em relação ao efeito curveball*. “Wife” começou possuindo uma atmosfera meio que de live, mas nós rapidamente substituímos isso por um tipo de som de gravação. Pensar sobre o preenchimento das músicas, uma por uma, também foi divertido. Nós tínhamos conversas do tipo “Que tal fazermos desse modo – passar de ‘Ray’ para onde ‘Wife’ está, como se nós ficássemos dando voltas entre uma música e outra”. Daí então nós nos inspiramos e meio que consertamos “Wife”. Fizemos isso nesse ritmo durante aquela etapa.
*Significa basicamente o elemento surpresa em meio a mudanças inesperadas no tempo da música.

-- No começo do the GazettE vocês fizeram uma grande variedade de músicas, como vocês lidavam com isso?

A: Acho que... Para mim, embora eu estivesse apenas seguindo os outros, dei tudo de mim. Porque, de qualquer modo, era quase tudo novo pra mim, o sentimento de tentar vários estilos de música não estava lá ou algo do tipo. Foi como eu me senti.

U: Enquanto em termos de variedade de melodia era comparavelmente extenso, em se tratando das guitarras, não era tão amplo quanto parecia ser quando falávamos sobre fazer uma variedade de coisas. Dizer que nós tentamos várias coisas, definitivamente seria bem mais o que estamos fazendo agora. Nos velhos tempos, por exemplo, mesmo que fizéssemos uma distorção, não tínhamos um conhecimento aprofundado, não podíamos lidar com o fato de fazer isso habilmente de tempos em tempos. Enquanto do nosso ponto de vista nós fizemos isso com diferentes tipos de sentimento, do ponto de vista da audiência aparentemente não havia diferença alguma.

-- Então, como não havia muitas distorções pesadas nas músicas no início, tive a impressão de que em cada música, respectivamente, pode-se sentir o progresso da união das guitarras.

A: Embora a partir daquela época o Uruha subconscientemente tenha feito isso de forma cuidadosa, de qualquer forma nem de longe eu tinha um equipamento bom para gravação. Por causa disso, hoje em dia, quando escuto aquelas músicas, acho que são um pouco constrangedoras.

U: Embora nós tenhamos escolhido conscientemente os tons para sincronizar as nossas músicas, em termos de coerência o som da guitarra estava um tanto fraco. Coisas assim estavam presentes, huh.

A: Sim. (risada amarga)

U: A partir daí nós percebemos isso. Eu pensei, “por que só podemos ouvir esse som de ‘shaa shaa?’”. Mas não sabíamos como melhorar. Nós estávamos “Se aumentarmos o som grave do nosso amplificador, soará mais profundo?”. Algo nesse nível (risos).


-- Em termos tanto de criação do som das guitarras, quanto da construção da gravação, vocês começaram a se perceberem como um todo. Durante o começo, de que maneira vocês decidiram sobre a questão dos solos?

U: Durante aquela época, como o Aoi não disse exatamente que queria fazer solos, então a conclusão foi de que quem geralmente faria os solos seria eu.

A: No começo eu não pensava em querer fazer solos, embora eu não soubesse exatamente qual a razão por trás disso. Até então era pelo motivo de que todas as bandas em que eu toquei tinham um estilo musical diferente. Além de que, eu realmente não sabia quais tipos de solo tocar para que ficassem ok. Mas foi um sentimento natural. Não que tivesse sido porque eu pensei sobre o assunto e decidi não fazer solos. Foi mais como o tipo de sentimento de "mesmo se eu não fizer solos está tudo bem, ne?”

-- Com isso, as coisas mudaram gradualmente. Enquanto tocava no Gazette, na posição de guitarrista, havia algum contratempo que você teve que desafiar?

U: Sim. Em termos de tipo*, porque normalmente eu sou do tipo que faz e refaz. Até hoje em dia eu sou assim (risos). Bem, tiveram períodos que pensamentos como "Eu estou começando a ver os limites de ser um guitarrista, huh~", predominavam. Pensando "porque eu não consigo tocar isso" ou algo parecido, às vezes eu me sentia sobrecarregado.
* N/T: Ele se refere à maneira de superar obstáculos.

-- Mas com o tempo você superou isso.

U: Sim. No entanto, se houvesse alguma coisa que eu pudesse superar, seria alguma outra coisa que eu fosse sentir dificuldade de superar. Também houve vezes que os desafios foram difíceis. Neste momento, o medo era comum. Embora seja bom que possa ser superado, quando você não o consegue, o dano é enorme também. Isso deverá continuar sempre. Embora eu não saiba se sentir ou não esse medo é bom. Acho que quando você prova essa sensação de frustração, é a evidência de que você foi provocado pela música e pela guitarra. Entretanto, às vezes eu penso que em tempos que você tem tal frustração e não a supera, ou não aprende a lidar com isso, você também não é maduro.

[Continua...]

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4 comentários:

Shiroki_D disse...

Ficou ótimo a tradução, mais uma vez xD

E nessa parte da pra notar que Uruha tomava mais a frente nas repostas do que o Aoi, as repostas de Uruha se tornaram mais longas tbm.

Chega a ser engraçado a forma como os dois percebem que eram bem amadores, mas cresceram muito rápido com o tempo tbm, e Aoi dizendo que chega a ser constrangedor ahsuashuahua tadinho ;3~

A entrevista do Guitar Book é tão boa ;-; Espero que continuem traduzindo-a para o português <3

Ruby disse...

Eu espero também que dê certo pra traduzir tudo )))):

Achei engraçado a parte do Aoi perguntando se o Uruha lembra da bronca. O Aoi sempre fala sobre isso nas entrevistas e o U nem lembra rs.

Shiroki_D disse...

O Aoi deve ser do tipo que guarda essas coisas, tadinho
ashashauashhauahuaa
Deve ter ficado martelando isso na cabeça e o Uruha nem lembra
LOL

Emmie disse...

Essa entrevista é bem esclarecedora. Eu gosto de pensar que cada um deles tinha um papel importante na banda, mesmo quando aparentemente 'nada' fizessem.

Quero dizer, acho que não haveriam tantas bandas pacientes com o Aoi como o the GazettE foi. Há respeito pelas diferenças individuais de cada um... Eles se entendem mesmo brigando para melhorar as músicas. =)

O Uruha parece que nem lembra das broncas, porque ele não parecia disposto a se indispor com o Aoi. Para ele, parece ter sido uma situação natural em que se pede a alguém para assumir algo que já devia ter assumido. Ponto.

Acho que o Aoi é quem se envergonha um pouco por ter ficado algum tempo sem 'contribuir' como poderia. (rs)

Ótima partilha, Ruby! =}~

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