28.1.13

[Tradução] ROCK AND READ 041 Uruha (Parte 1)

No ano passado a Brends entrou  em contato comigo dizendo que tinha gostado da entrevista do Uruha que saiu na ROCK AND READ 041 e que tinha começado a traduzir. Ela gentilmente me mandou a primeira parte da entrevista traduzida por ela para o Português, se oferecendo para ajudar. Então estou postando a tradução aqui e aproveitando pra agradecer o trabalho que ela teve.

Abaixo você pode conferir a tradução em Português de uma parte da entrevista que o Uruha concedeu à revista ROCK AND READ, lançada em Abril de 2012. Nessa parte o guitarrista fala sobre seus sentimentos a respeito do live THE DECADE.

Uruha ROCK&READ 41 Entrevista (Parte 1)
(Parte 1 | Parte 2)

Tradução Japonês-Inglês: nobishonennolife
Tradução Inglês-Português:@blakkuchii (Brends)

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Profile (ficha)
Nascido em 9 de Junho. Guitarrista da banda the GazettE, a qual foi formada em 2002. Os outros membros são RUKI (vo), Aoi (gu), REITA (ba) e Kai (bat). Eles irão lançar um DVD do Live [TOUR 11-12 VENOMOUS CELL FINALE OMEGA LIVE AT 01, 14 YOKOHAMA ARENA] em 9 de Maio, e o álbum [DIVISION] em Agosto. Eles estarão em atividade na turnê "HETERODOXY" do fã-clube em Julho-Agosto, e a partir de Outubro eles entrarão em uma turnê intitulada "GROAN OF DIPLOSOMIA 01"
Comemorando os 10 anos desde a sua primeira performance no Meguro Rokumeikan, em 10 de Março, o the GazettE se apresentou no Makuhari Messe diante de mais de 10.000 pessoas. Em sua quarta aparição nesta revista, Uruha irá falar sobre o live e também sobre a "estética" que ele supostamente tem seguido do início ao fim. Sua definição de "elegância". Seu ideal de "imagem da banda". Não vacilaram por lisonja, leais a eles mesmos. Não importa o quão grande eles venham a se tornar, the GazettE permanecerá the GazettE, Uruha permanecerá Uruha.

–  É interessante porque as coisas não estão acontecendo como eu tinha imaginado. Mas do contrário, eu realmente aceito essa idéia de "um erro de cálculo bom" – 

Pergunta (P): Vocês se apresentaram em um live intitulado "THE DECADE" no Makuhari Messe no dia 10 de Março. Como vocês se sentiram naquele momento?

Uruha (U): Os outros membros estavam "Eu estou nervoso, estou nervoso". Eu pensei "isso é estranho" (risos). Talvez seja porque era o décimo aniversário. Do contrário, normalmente eu imediatamente fico nervoso, mas naquele dia eu não estava. Claro que eu estava nervoso, mas não tanto. Do contrário, eu fico mais nervoso em finais de turnê.

P: Talvez você não possa escapar do nervosismo. 

U: Talvez agora isso nunca acabe. Mas é claro que eu quero que isso acabe (risos). Para esse décimo aniversário, sempre me dizem "foi um tipo bom de nervosismo". Até agora eu não sabia se era um tipo bom ou ruim de nervosismo, e eu não entendi o que queriam dizer. Às vezes não ficar nervoso é melhor, e às vezes eu posso pegar uma energia extra quando fico nervoso. Dessa vez, ficar nervoso operou em uma direção positiva. Mesmo sendo uma performance de décimo aniversário, eu realmente não fiquei preocupado. Eu estava "estou bem de qualquer forma" (risos). Por outro lado, eu me questiono se os outros membros tiveram tal coisa.

P: Talvez você encare o décimo aniversário de vocês de uma forma leve.

U: Não, não é bem isso (risos). É apenas que, nós apresentamos várias das músicas antigas, e era impossível de lembrar todas elas. Então eu pensei "está tudo bem se eu cometer alguns erros". Eu estava, "vocês irão me perdoar (por isso), não vão?" (risos). Talvez tenha sido por isso que eu não fiquei tão preocupado.

P: De fato. Durante o final de uma turnê de promoção do álbum, você tem esse sentimento de "eu não quero ter nenhum arrependimento!"

U: Isso. É por isso que até mesmo a atmosfera se torna importante, então eu fico nervoso não somente antes, mas também durante a apresentação. Há uma sensação de "não importa o quê, não posso cometer um erro" (risos). É por essa questão que dessa vez, quando a intro de Miseinen começou, eu estava "ah não, eu coloquei muita potência" (risos). Mas uma vez que eu percebi aquilo, eu meio que me acalmei. Essa música também tem riffs que vêm rapidamente, então eu tava "droga, eu tenho que me controlar". Normalmente quando nós apresentamos músicas pesadas, intensas, eu começo com muita intensidade e continuo assim, mas esta música foca mais no vocal, então eu deveria me conter em algum ponto. Eu pensei então que esse tipo de coisa também é possível (risos). Eu acho que não é ruim se a primeira música for algo que consiga me acalmar.

P: Vocês apresentaram várias músicas nostálgicas. E para mim, que não acompanhei o the GazettE no início, parecia como "vocês me mostraram músicas que eu pensei que nunca poderia ver". O que você acha disso?

U: Nós nunca pensamos "não iremos apresentar essa música de novo". Mas eu acho que pode não haver outra chance de nós apresentarmos esta quantidade de músicas antigas. Durante as tours, nós sempre tentamos colocar mais coisas novas, então não existe oportunidade para fazermos este tipo de coisa. Mas, se tivéssemos tempo, eu acho que nós faríamos.

P: Em outras palavras, não é como se vocês descartassem as suas músicas antigas.

U: Isso é verdade. É que apenas não tivemos a chance de apresentá-las. Mas conforme tocamos estas músicas, elas não eram apenas nostálgicas. Quando nós ensaiamos para o live, nós olhamos os arranjos originais e enquanto fazíamos isso nós percebemos que musicalmente tinha partes que não estavam boas. Isso nos fez pensar se deveríamos manter (o arranjo original) e apresentar assim mesmo. Dependendo da canção, algumas partes estavam terríveis. Algumas estavam fora de ritmo, em outras, embora sendo o refrão, tinha muito barulho e aquilo meio que matava a melodia. Elas não se adequavam a nós, ou de outra forma, musicalmente elas não estavam certas.

P: Mas algumas vezes há coisas boas em algo que desafia a lógica e de qualquer forma, estar tudo correto não significa que ficará bom. 

U: Exatamente. Se nós queremos corrigir, nós teríamos que mudar muitas coisas. Nós entendemos que o nosso estilo atual gostaria de renovar muitas coisas e fazê-las mais simples, mas se fizéssemos isso, as músicas poderiam se tornar completamente diferentes. Elas poderiam terminar sendo algo que você poderia não reconhecer. (risos) Então não há significado em fazer isso. Por isso nós nos decidimos mantê-las perto do original. Foi uma decisão bastante clara.

P: Quando você encara seu eu de antes, você pode sentir o quanto amadureceu, ou progrediu desde aquela época. Ou do contrário, deve ter alguma coisa que não mudou em nada.

U: Talvez tenha. Mesmo pensando que eu prefiro que tenha mudado. (risos) Quando eu subo no palco e toco músicas antigas, eu espero que a audiência possa ver o the GazettE que não mudou. Mas claro que não será nós de 10 anos atrás tocando as velhas músicas. (risos) Agora pelo menos nós sabemos o básico (de música), mas naquela época nós não sabíamos nem o básico. Tipo, mesmo sabendo que devemos focar na melodia, as guitarras eram barulhentas, ou mesmo sabendo que era uma parte essencial, terminava mal. Eu acho que talvez os fãs não se lembrem disso. Estranhamente, é como se os fãs não sentissem que naquela época nós lançávamos músicas em condições bastante terríveis. Como dessa vez nós pudemos apresentar elas bem, talvez na mente deles os fãs poderiam pensar, “então as músicas daquele tempo eram assim”*¹ (risos) Nessa forma, eu espero que eles possam sentir que nós não mudamos. Ao contrário, se nós tocássemos elas como fizemos (naquela época), talvez eles poderiam se lembrar do quão terrível nós éramos. (risos)

P: Interessante. Se você focar nas boas memórias da audiência, eles poderiam sentir “é realmente ótimo como eles não mudaram”, maspor outro lado, se você também for manter as coisas ruins, eles poderiam sentir “eles não progrediram em nada”.

U: Exatamente. (risos) Agora, dependendo do que nós fazemos, nosso passado também muda. No fim, nós mantivemos as partes boas, e repintamos as partes na qual queríamos apagar. Eu acho que não há outro caminho. É como se nós continuássemos revisando, ou continuássemos atualizando. Eu espero que possa parecer como se nós mantivemos a atualização das nossas coisas antigas.

P: Entendo. Durante o encore, quando os membros falam um por um, você disse algo como “eu estou cansado em um bom sentido”. Mas no meu ponto de vista, eu acho que todos vocês aproveitaram.

U: Antes de começar, eu estava um pouco tenso. De qualquer forma, bem antes de começar os membros fizeram o “coloque seu espírito lutador!”... E nós juntamos nossas mãos e nos abraçamos... Geralmente não fazemos tal coisa. É como, meus sentimentos apenas borbulharam. Bem antes do início, eu estava “ah, hoje é um dia especial”... Até então, eu estava no backstage tocando a minha guitarra, e na minha cabeça não havia nada além de “vamos fazer isso adequadamente”. Durante o “coloque seu espírito lutador”, eu comecei a realmente captar esses sentimentos especiais.

P: Você pegou a empolgação nessa hora. 

U: Sim, claro que na minha cabeça eu já estava sabendo há um longo tempo que esse live era especial, e as pessoas ao meu redor também continuavam a dizer isso. Mas de alguma forma isso parecia como “um trabalho especial”. Mas naquele momento, parou de ser um trabalho. Eu queria mostrar isso como uma coisa especial em conjunto com o live, mas de algum jeito eu tive esse sentimento seco. Até aquele momento.

Nota da tradutora (Jap-Ing):
*¹. Basicamente ele está dizendo que na mente dos fãs, as músicas terríveis de antes foram substituídas por uma versão mais refinada que eles puderam apresentar agora.

[A entrevista continua, mas eu não sei quando a Brends vai poder traduzir mais partes da entrevista.]

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6 comentários:

Ruby disse...

"Eu acho que talvez os fãs não se lembrem disso. Estranhamente, é como se os fãs não sentissem que naquela época nós lançávamos músicas em condições bastante terríveis."

Eu sinto totalmente essas condições que ele falou.

Joyce disse...

Realmente, ótima entrevista!Obrigada pela tradução! <3
Senti que o Uruha falou bem abertamente, de forma até limpa, o que é meio estranho vindo dele -q
Mas realmente, dá pra ver como o the GazettE evoluiu! Lembro que quando ouvi as músicas antigas deles, senti exatamente oq ele descreveu, mt barulho, oq matava a melodia, como em algumas partes de Wakaremichi; no mais, gostei de saber que apesar dos anos, os LIVES n se tornaram algo massacrante, e que o frio na barriga ainda os atinge xD
Que eles continuem sempre seguindo em frente de cabeça erguida!

Aninha disse...

Obrigada pelo post Ruby! Eu gostei bastante da forma como o Uruha se expressou... acho tão legal quando eles avaliam o quanto cresceram profissional... tipo analisando algumas músicas antigas e tal. Muito orgulho dessa banda!

Mira disse...

Esta entrevista do Uruha está bastante interessante. De facto, é muito bom poder ver e saber como eles se sentem antes dos lives e como foram estes 10 anos para eles.

E é perfeitamente natural que exista uma evolução na qualidade da música! xD

Obrigado Brends e Ruby!! :)

Brends disse...

Espero terminar a tradução da segunda parte em breve! Que bom que gostaram. :3 Essa entrevista é muita boa e gostei muito de como o Uruha se expressou nela.

Obrigada pelo esforço de sempre, Ruby. <3

Dai ; Uhura disse...

Waa, que falta o best me fez nesses últimos dias. ;-;
Apesar de poder vir aqui e ver se há atualizações, não pude ler nenhum post. Tenho que me organizar. >_<

Realmente, o Uruha estava super descontraído no DECADE. Todos para mim estavam, entretanto, ele era o que mais se destacava nesse quesito. O que foi bem diferente para mim.

Músicas antigas ou novas... Como seria magnífico se pudessem conciliar a maioria, para não dizer todas, delas em um único show. Ah, isso não é uma exigência. >_<

Em minha opinião, quando nós mesmos reconhecemos os nossos progressos, mudanças, é que tudo ganha de fato um sentido e mais ainda um incentivo.
Poxa, adorei como o Uruha se expressou em suas respostas, claramente e me passando um sentimento tão bom.

Sobre as músicas antigas, seus ajustes, DECADE. Eu achei que ficou incrível a música 'Doro darake no seishun', começando pelo seu início, ficou perfeita a sua apresentação. Amei. <3
Ah, mas devo dizer que as 'dancinhas' do Uruha não mudarem em nada nela. XD

Muito obrigado por este post, Ruby-san. E, Brends, por ter se disponibilizado para traduzi-la, compartilhando conosco. <3

ps: Estou muito contente por ver tantas traduções para ler. Obrigado! *-*

Dai

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